domingo, 19 de janeiro de 2014

Jovens são vítimas e autores de atos de violência

 Por muitas vezes, a história por trás do crime envolvendo adolescentes se repete. Com um perfil médio de 16 e 17 anos, egressos da escola e moradores de áreas densamente povoadas e envoltas pela presença da criminalidade, a participação de crianças e adolescentes em crimes cada vez mais violentos não é um fato isolado. Independente da redução gradual do número de atos infracionais cometidos por menores de idade com o passar do tempo, o que o noticiário e a própria polícia percebe é o agravamento das ações praticadas por eles. 

Morto com requintes de crueldade no último dia seis de janeiro no bairro do Jiboia Branca, em Belém, um rapaz que teria entre 15 e 17 anos trazia no corpo possíveis indicativos de que o envolvimento com o crime antecedia o momento de sua morte. No mesmo dia, já no bairro do Barreiro, outro adolescente de apenas 14 anos perdeu a vida. Já com três apreensões e conhecido por vender drogas e cometer assaltos, ele teria começado a praticar infrações quando era, ainda, uma criança. 

Com o registro de cerca de 1.600 apreensões na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) no ano de 2013, o delegado Fabiano Amazonas identifica a redução no número de casos de atos infracionais desde 2009. Segundo ele, porém, a preocupação maior estaria na gravidade dos atos infracionais praticados por esses adolescentes atualmente. “A participação de adolescentes no crime não é uma novidade. O jovem já infraciona há muito tempo. Antes só não tinha atos violentos como estamos vendo agora”, acredita. “Estatisticamente, desde 2009 os números têm baixado, mas esses atos são de natureza mais violenta, mais grave. Antes nós percebíamos mais furtos do que roubos, por exemplo. O comportamento do adolescente mudou”.

Com a predominância de crimes de roubos e da participação de infratores do sexo masculino, o delegado Fabiano Amazonas identifica a influência de fatores diversos para a entrada de jovens na criminalidade. “Isso é um reflexo de uma série de fatores, são fatores sociais. Sociologicamente falando, onde tem sociedade, tem crime. Mas, nesses casos, geralmente o adolescente vive situações de desagregação familiar, vive em locais onde há a presença de subculturas delinquentes como o tráfico, evasão escolar”, avalia. “A minoria dos adolescentes apreendidos, 5% apenas, ainda estão cursando o ensino médio. Muitos já abandonaram. Quando o adolescente passa para o ensino médio, muda-se a perspectiva de vida e a tendência é ele não se delinquir.

FAMÍLIA

Sob a análise da grande demanda atendida pelo departamento psicossocial da Data e pelos casos acompanhados diariamente pela divisão, o delegado também reforça a grande participação da família nos rumos tomados por esses jovens infratores.

“O nosso setor psicossocial teve mais de dois mil atendimentos em apenas um ano. São atendimentos que não estão diretamente ligados à questão da criminalidade, mas que indicam essa ausência da família”, considera, diante de casos práticos onde, após localizarem um adolescente desaparecido, a mãe se dizer ocupada para ir buscá-lo. “Ninguém está livre de conflitos familiares, de problemas com os filhos.

Porque que quando aquele adolescente cometeu o primeiro ato, se envolveu na primeira confusão, o pai não fez nada? Os pais não estão presentes na vida dos filhos”. 



(Diário do Pará)

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