Por muitas
vezes, a história por trás do crime envolvendo adolescentes se repete.
Com um perfil médio de 16 e 17 anos, egressos da escola e moradores de
áreas densamente povoadas e envoltas pela presença da criminalidade, a
participação de crianças e adolescentes em crimes cada vez mais
violentos não é um fato isolado. Independente da redução gradual do
número de atos infracionais cometidos por menores de idade com o passar
do tempo, o que o noticiário e a própria polícia percebe é o agravamento
das ações praticadas por eles.
Morto com requintes de crueldade no
último dia seis de janeiro no bairro do Jiboia Branca, em Belém, um
rapaz que teria entre 15 e 17 anos trazia no corpo possíveis indicativos
de que o envolvimento com o crime antecedia o momento de sua morte. No
mesmo dia, já no bairro do Barreiro, outro adolescente de apenas 14 anos
perdeu a vida. Já com três apreensões e conhecido por vender drogas e
cometer assaltos, ele teria começado a praticar infrações quando era,
ainda, uma criança.
Com o registro de cerca de 1.600
apreensões na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) no ano de
2013, o delegado Fabiano Amazonas identifica a redução no número de
casos de atos infracionais desde 2009. Segundo ele, porém, a preocupação
maior estaria na gravidade dos atos infracionais praticados por esses
adolescentes atualmente. “A participação de adolescentes no crime não é
uma novidade. O jovem já infraciona há muito tempo. Antes só não tinha
atos violentos como estamos vendo agora”, acredita. “Estatisticamente,
desde 2009 os números têm baixado, mas esses atos são de natureza mais
violenta, mais grave. Antes nós percebíamos mais furtos do que roubos,
por exemplo. O comportamento do adolescente mudou”.
Com a predominância de crimes de
roubos e da participação de infratores do sexo masculino, o delegado
Fabiano Amazonas identifica a influência de fatores diversos para a
entrada de jovens na criminalidade. “Isso é um reflexo de uma série de
fatores, são fatores sociais. Sociologicamente falando, onde tem
sociedade, tem crime. Mas, nesses casos, geralmente o adolescente vive
situações de desagregação familiar, vive em locais onde há a presença de
subculturas delinquentes como o tráfico, evasão escolar”, avalia. “A
minoria dos adolescentes apreendidos, 5% apenas, ainda estão cursando o
ensino médio. Muitos já abandonaram. Quando o adolescente passa para o
ensino médio, muda-se a perspectiva de vida e a tendência é ele não se
delinquir.
FAMÍLIA
FAMÍLIA
Sob a análise da grande demanda
atendida pelo departamento psicossocial da Data e pelos casos
acompanhados diariamente pela divisão, o delegado também reforça a
grande participação da família nos rumos tomados por esses jovens
infratores.
“O nosso setor psicossocial teve mais
de dois mil atendimentos em apenas um ano. São atendimentos que não
estão diretamente ligados à questão da criminalidade, mas que indicam
essa ausência da família”, considera, diante de casos práticos onde,
após localizarem um adolescente desaparecido, a mãe se dizer ocupada
para ir buscá-lo. “Ninguém está livre de conflitos familiares, de
problemas com os filhos.
Porque que quando aquele adolescente
cometeu o primeiro ato, se envolveu na primeira confusão, o pai não fez
nada? Os pais não estão presentes na vida dos filhos”.
(Diário do Pará)
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