O Jornal O Globo deste domingo, 19, publicou matéria que
registra contínua a ausência do senador Sarney do Amapá, de seu
domicílio eleitoral. A reportagem afirma que Sarney veio disputar a vaga
ao senado pelo recém-emancipado estado por ter sido negada, a ele, a
legenda pelo PMDB do Maranhão – Sarney havia deixado à presidência com a
maior rejeição registrada por um governante na história recente do
país. Com informações de vizinhos da casa do senador, a reporte do
jornal carioca fica sabendo que a vinda de Sarney ao Amapá já virou
motivo de piada.
Sarney, um senador do Amapá que quase nunca é visto por lá
Por Maria Lima - O Globo
Pouco habitada nos últimos 24 anos, a casa da Avenida Carlos Gomes,
em Macapá, modesta para os padrões do ilustre dono, passou por uma
reforma e deve voltar a ser mais visitada neste ano eleitoral pelo
ex-presidente da República e hoje senador José Sarney (PMDB-AP). Após
sair da presidência com a maior rejeição registrada por um mandatário na
história recente do país, Sarney teve que buscar uma vaga de senador,
em 1990, pelo então emancipado Amapá, porque o PMDB lhe negou a legenda
em sua terra natal, o Maranhão. Dos amapaenses, Sarney já ganhou três
mandatos, mas a atenção dispensada por ele ao eleitorado de seu
domicílio eleitoral é mínima, de acordo com políticos do estado. Sarney
diz que só decidirá a partir de março se disputará outro mandato e lista
benefícios que aprovou ou ajudou a aprovar para o Amapá.
Na casa onde funciona seu domicílio eleitoral em Macapá morava, até
recentemente, um aliado seu, José Carlos Alvarenga, diretor do Sebrae.
Mas hoje a casa está fechada. As outras residências do senador estão na
Praia do Calhau e na Ilha do Curupu (MA) e na antiga Península dos
Ministros, no Lago Sul, em Brasília.
As idas de Sarney ao Amapá são tão raras que, quando ele chega lá,
quase sempre de jatinho, para passar algumas horas ou no máximo três
dias, é um acontecimento que ganha as manchete nos jornais locais. Uma
vizinha da casa de Sarney em Macapá conta:.
- Minha querida, as visitas de Sarney aqui já viraram piadinhas! É
motivo de riso. Moro perto da casa dele e nunca o vi por aqui. E olha
que ando bastante! A casa está sempre fechada, mas como este ano tem
eleição, já começamos a ver um movimentozinho - disse Cássia Danúbia
Soares Ribeiro, moradora da Avenida Carlos Gomes.
Os eleitores e políticos do Amapá reclamam do pouco esforço dele,
mesmo com o poder que tem no governo, para liberar suas emendas
parlamentares ao Orçamento para obras no estado. Pelo levantamento da
execução orçamentária de 2013, ele destinou emendas para Macapá (R$ 2
milhões), Mazagão (R$ 7,5 milhões) e Santana (R$ 2,5 milhões), entre
outras. Apesar de autorizadas, nenhum centavo foi pago. A única emenda
dele empenhada e paga foi uma de caráter nacional, para a Fundação
Pioneiras Sociais ( R$ 743 mil), que administra a rede do Hospital Sarah
Kubitischek.
Sarney costuma visitar o Amapá em datas importantes. No primeiro ano
como senador eleito do Amapá, passou seu aniversário lá. Depois, aboliu
essa ideia. Nos meses de dezembro ainda vai ao estado para fazer uma já
tradicional festa com políticos e jornalistas num hotel da cidade, que
inclui o sorteio de brindes.
O ano que Sarney passou mais tempo no Amapá , cerca de 30 dias, foi
na campanha de 2006, quando quase perdeu para a então desconhecida
Cristina Almeida (PSB). Precisou gastar muita sola de sapato no corpo a
corpo. Em 2010, no dia da eleição presidencial, foi a Macapá de jatinho,
por volta das 7h da manhã. Votou e, ao meio-dia, voltou para o
Maranhão. Em 2013, ele esteve lá só duas vezes, em abril e dezembro.
As promessas dele não saíram do papel. O aeroporto de Macapá teve a
obra parada em 2004 porque o dinheiro sumiu e hoje só tem lá o
esqueleto. Quando fui governador, Sarney não permitiu que o governo
federal repassasse um centavo para o estado e só governei com os
repasses constitucionais. - disse o senador João Alberto Capiberibe
(PSB), seu adversário político.
Terceiro senador pelo Amapá, Randolfe Rodrigues (PSOL) tem boa relação com Sarney, mas cobrou:
Não julgo a escolha do povo do Amapá que elegeu o Sarney, mas ele
deveria ter mais respeito com os eleitores e ir ao estado com mais
frequência. Poderia ir pelo menos uma vez ao mês. E se ele disser que
atua pelo Amapá aqui em Brasília, está mentindo. Desde 2011, não o vejo
em reunião de bancada.
Sarney lista obras que apoiou
Recolhido no Maranhão, onde dona Marly Sarney se recupera de um
acidente, Sarney respondeu, por meio de sua assessoria: disse que vai ao
Amapá todas as vezes que é preciso e que não decidiu se será candidato
novamente. Ele diz que sua sua aprovação é alta no estado e faz uma
avaliação positiva de seus mandatos de senador pelo Amapá. "Tenho
residência em Macapá, Rua Carlos Gomes, 920. A lei permite a todas as
pessoas terem várias residências e escolher uma delas para domicílio
eleitoral. Estou sempre no Amapá, todas as vezes que é preciso. Fui
eleito para representar o Amapá em Brasília, onde é o Senado", disse por
e-mail.
Sarney listou obras para o Amapá como de sua iniciativa: "Quase tudo
que foi criado nesses 24 anos no Amapá tem a minha ajuda. Foram
iniciativas minhas a Área de Livre Comércio Macapá-Santana, o
carro-chefe da economia amapaense, responsável por 80% dos empregos.
Criei a Zona Franca Verde, foi minha iniciativa três hidro elétricas que
estão construindo no Amapá, a 1ª começa a funcionar em junho deste ano",
disse, citando ainda o trabalho pela liberação de verbas para obras de
urbanização da capital e interior.
Sobre a acusação de que persegue adversários locais, afirmou por
e-mail: "Nunca impedi qualquer repasse. Apoiei a eleição do Capiberibe
ao governo e todas as outras obras que ele fez pelo estado. Quanto ao
prefeito da capital, Clécio Luís, temos ótimas relações e também sempre
procuro ajudar a cidade (...) Tenho apoio das maiores lideranças do
estado. Tenho hoje, na última pesquisa, de dezembro, 50,6% das intenções
de voto do eleitorado, os outros candidatos reunidos tem 22%".
Nenhum comentário:
Postar um comentário