segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Morte traz à tona novo debate contra mascarados

:
A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, traz de volta a discussão sobre a possibilidade de tornar mais rígida a política de segurança contra mascarados em manifestações. 

O profissional, que filmava um protesto contra o aumento de passagem de ônibus no Rio, na quinta-feira 6, foi atingido na cabeça por um rojão, disparado por alguém de rosto coberto, e teve morte cerebral confirmada no início desta tarde.

O debate sobre o assunto veio à tona pela primeira vez no ano passado, depois das manifestações de junho, quando o movimento Black Blocs causou milhões de reais em prejuízo com suas destruições do patrimônio público e privado em diversas cidades. Desta vez, a violência do grupo trouxe uma consequência mais grave: levou uma pessoa inocente, que trabalhava no protesto e tinha mulher, filha e enteados, à morte.

Em agosto, quando foi apresentada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a proposta que proíbe usar máscaras em protestos, de autoria dos deputados Paulo Melo (PMDB), presidente da Alerj, e Domingos Brazão, líder do PMDB, não foram poucas as vozes que se levantaram contra.

O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), que ontem foi ligado a um membro do Black Bloc, segundo uma manifestante identificada como "Sininho",  classificou o projeto como um "grande equívoco, que poderá aumentar o conflito entre manifestantes e a polícia". Ele lembrou que a Justiça já havia autorizado a identificação de mascarados. "Esse projeto de lei é inconsequente", resumiu.

"É inconstitucional o Estado não poder legislar sobre liberdade individual", disse na época o doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense e juiz de Direito João Batista Damasceno. Concorda com ele o cientista político da PUC Ricardo Ismael. "É a reação desesperada contra a pressão popular por melhorias em transporte, saúde e educação. Governantes devem atender aos anseios do povo e zelar pelo patrimônio público e privado".

Os autores do projeto, que foi aprovado e sancionado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, em setembro, defendem, porém, que a intenção é acabar com o vandalismo praticado por um pequeno grupo, sem proibir as manifestações. "Ninguém tem a ilusão de que as manifestações irão parar. Nós queremos acabar com esse pequeno grupo que vandaliza", declarou Brazão. "O anonimato só serve para quem não pactua com a democracia", acrescentou Paulo Melo.

Na febre do debate, até o cantor e compositor Caetano Veloso saiu em defesa dos mascarados. Na página do Mídia Ninja no Facebook, ele apareceu com o rosto coberto por uma camiseta preta, sob a legenda: "Caetano Black Block": "É uma violência simbólica proibir o uso de máscaras. Dia 07 de setembro todos deveriam ir as ruas mascarados". O post gerou uma série de críticas na internet.

Nesta tarde, os presidentes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Slaviero, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, e da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio (Arfoc), Luiz Hermano, defenderam punição aos responsáveis pelo disparo do rojão que atingiu e matou o cinegrafista da Band.

"Nós, jornalistas de imagem, exigimos que as autoridades de segurança do estado do Rio de Janeiro instaurem imediatamente uma investigação criminal para apurar quem defende, financia e presta assessoria jurídica a este grupo de criminosos, hoje assassinos, intitulados black blocs, que agridem e matam jornalista e praticam uma série de atos de vandalismos contra o patrimônio público e privado", diz trecho da nota emitida pela Arfoc.

A questão que se coloca agora é: até quando vamos tolerar os que os críticos à proibição das máscaras chamam de "liberdade individual" e ver acontecer a violência e os prejuízos causados por black blocs? Afinal, a morte de Santiago Andrade exige ou não uma legislação mais dura?

Amapá 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Moradores da Avenida 15 de Novembro no bairro do Paraíso sofrem com alagamentos constantes

Por Iran Froes Moradores da Avenida 15 de novembro, no bairro Paraíso, no perímetro das ruas Osvaldo Cruz e Padre Vitório Ga...